30 Anos 30 Histórias

  • Que bolo é este?

    Regresso ao escritório depois do almoço e na receção está um bolo enorme com o logótipo de um cliente. "Que bolo é este?", pergunto curiosa. "Não sei bem, mas o cliente está a celebrar o aniversário e mandou entregar no departamento das publicações". "Está mesmo a apetecer-me sobremesa. Não pode partir algumas fatias e oferecer a todos com café, por favor?" 
    Já pela hora do lanche, a simpática colega que distribuiu a iguaria, entra de rompante na minha sala:
    - Catarina, afinal o bolo era para uma produção fotográfica!!!! E agora?Nem tive coragem de contar que mais de meio já foi....
    - Oh diabo...! Que chatice! Bom, temos de mandar fazer um igual à pastelaria aqui do lado e eu pago. Só me faltava esta!
    E bom resto da minha tarde foi passado a tentar arranjar um logo igual (sem a internet de hoje), um pasteleiro competente, a acalmar a produtora...
    Bela partida que a equipa me pregou!  Falta de hábito. Não lidamos muito com bolos nesta nossa atividade!

  • Uma enferma

    Tive um momento bastante insólito no decorrer do meu percurso na LPM. Aconteceu numa altura em que tinha reuniões com um cliente cujo ar condicionado da sala me fazia espirrar frequentemente. Ao fim da 5.ª reunião, o cliente disse-me que eu estava sempre doente (raramente estou). Na semana seguinte apareci com o braço ao peito.

  • Queijo

    17 de janeiro de 2012, IV congresso da APED. Eu fazia parta da equipa de produção destacada para acompanhar o evento. E o que de melhor pode acontecer a uma pessoa que não gosta de queijo, e não suporta o cheiro de queijo, do que estar a trabalhar noite dentro, numa sala do Museu do Oriente, que está cheia de queijos? A isso chama-se espírito de equipa e amor à camisola!

  • Qual é a bebida?

    Não me esqueço dos três dias que fui trabalhar num restaurante McDonald’s, porque a marca assim o exige para todas as pessoas que trabalham com eles. O objetivo é trabalharmos no restaurante, passarmos por todos os postos, desde o grelhador até às batatas, somos tratados como qualquer funcionário nos seus primeiros dias, e os meus novos colegas pensavam mesmo que eu ia ficar ali no restaurante. Fui destacada para o McDonald’s BP Padre Cruz. Como não tenho carro, fui os três dias de táxi para o restaurante e, mais tarde, apercebi-me de que já era conhecida no restaurante como “a menina do táxi”. Passei a maior parte do tempo na zona das batatas. Nas horas de ponta os meus colegas estavam sempre a dizer-me que tinha de ser mais rápida mas alguns ainda me diziam que nos primeiros dias era normal e que podia vir a melhorar. Eles não sabiam mesmo que estava ali de passagem…

  • Num hotel durante 6 meses

    Em 2009 foi-me lançado um desafio: mudar “de malas e bagagens” para o Porto, para integrar o Departamento de Comunicação da Unicer, enquanto a nossa cliente estivesse de licença de maternidade. Foram aproximadamente seis meses, que ainda hoje recordo, pois o balanço foi muito positivo. E morar num hotel é, sem dúvida, uma experiência única!

  • Cadê a mala?

    Viagem em trabalho. Destino: Gaia. Acompanhamento do Festival Marés Vivas. Computador: checked; carteira: checked; mala de viagem com-toda-a-roupa-e-artigos-pessoais: not checked! Qual é o problema, quando são apenas 4 noites longe de casa?

  • Há crioulo no Google translate?

    Um dos projetos mais interessantes em que estive envolvido na LPM terá sido, certamente, aquele que me coloca na equipa de trabalho para uma candidatura na Campanha à Presidência da República de Cabo Verde em 2006.

    O meu papel restringia-se mais à produção de conteúdos para a campanha. Retirava um gozo especial da elaboração dos guiões para os tempos de antena.

    Estava bem documentado e cabia-me replicar os vários temas, definidos como prioritários pela entourage da candidatura com base na pesquisa disponível.

    Parte do produto final era apresentado em crioulo. Ora, eu não percebia, nem percebo, nada de crioulo.

    Também não podia contar com as ferramentas online que hoje nos auxiliam em alguma tradução mais complicada.

    O Google Translator (ainda) não assume a língua crioula de Cabo Verde. E foi assim que nunca compreendi inteiramente se aquilo que tinha escrito nos guiões dos tempos de antena foi, efetivamente, dito.

  • De quem aqui encontrei

    Podia contar a história do dia em que ORM se tornou uma especialidade na LPM. Também podia contar a história de quando me pediram para ir viver para Angola, e eu fui, e morri de calor todos os dias. Ou como me senti tão feliz ao ajudar a organizar a primeira sessão pública do NewsMuseum na ESCS, a escola onde eu sonhava ser RP na maior consultora de comunicação do país, com os clientes mais grandiosos e sofisticados… Mas a história que sobressai no meu pensamento é outra. É a da Isabel, da Catarina e do Tavares. Da Patrícia, do Gonçalo, e do Luís. Do Alberto, da Ana Maria e do Rio. É das pessoas com quem aqui trabalho desde sempre, que são incansáveis e dedicadas, que são íntegras e modestas, mesmo tendo nas mãos os projetos mais complexos de Public Relations em Portugal, e como elas influenciaram e influenciam a minha vida de forma tão marcante.

  • Tens de ir para a Madeira resolver uma crise. Hoje.

    20 de fevereiro de 2010. A Madeira é afetada por uma chuvada sem precedentes, que deixa um rasto de destruição um pouco por toda a ilha. Um cliente, ligado à gestão de centros comerciais liga e pede ajuda: “precisamos de vocês aqui”. Era o início de uma semana de trabalho diferente, onde a gestão de crise passou do papel à ação. O balanço não podia ser mais positivo: cliente satisfeito, reputação intacta, relação de confiança reforçada. E uma experiência que marcaria os passos seguintes do meu percurso profissional.

  • Um dos melhores almoços da minha vida

    Foi no dia de apresentação de Imedeen, uma marca premium de Beleza, às melhores bloguers do país. Ou, pelo menos, eu esperava que elas lá estivessem. Enviámos convites personalizados, tentámos captar a sua atenção da forma mais criativa e relevante possível, mas há sempre aquele nervoso miudinho. Será que vão aparecer? Será que vão compreender a mensagem que queremos passar? Nessa manhã, explode uma situação de crise com outro cliente. Já não posso ir. Como assim? Voltas e mais voltas, lá consigo escapar-me e, para minha enorme satisfação, encontrar uma sala cheia de bloguers atentas e interessadas. Quando acabou, fui com a minha colega à pastelaria mais próxima para comer alguma coisa. Acabámos a almoçar croissants de chocolate na Benard às 4 da tarde. Foi dos almoços que melhor me souberam até hoje.

  • Eu nem queria sair do Brasil

    Para acompanhar a ação de um cliente no Brasil tive de fazer uma viagem relâmpago: embarcar numa segunda-feira de manhã e regressar numa quarta-feira ao final do dia, passando por duas cidades brasileiras. Entre (muitas) outras peripécias, estive quase para não embarcar de regresso para Lisboa porque o voo estava overbooked. Depois de muito esperar, lá me deram, literalmente, o último lugar do avião (o ideal para quem tem fobia de voar porque é onde se sente mais trepidação)! Depois de já estar na sala de espera com centenas de pessoas, fui inquirida por um elemento da Polícia Federal brasileira e ainda fui encaminhada para um recanto do aeroporto para ser revistada, justificando-se sempre que era o procedimento normal, sendo que das 250 pessoas que embarcaram no avião, eu fui a única com este tipo de procedimento…

  • Fugir de um petardo

    Em 2013, e para monitorizar uma situação específica de um cliente, participei, como observadora, numa manifestação em frente à Assembleia da República. Fingindo estar de passagem, observava as movimentações de dentro da Papelaria Fernandes. A manifestação arrancou e eu fui, até ao local de chegada. Posicionei-me perto dos carros de exteriores das televisões até porque conhecia a equipa da SIC. A rua estava cheia, o barulho ensurdecedor, os cânticos e slogans contra o governo eram ofensivos e agressivos, o ambiente era pesado. De repente ouve-se um petardo. Dei um salto e, sinceramente tive medo… bastante. O técnico da SIC que estava na carrinha disse-me para entrar… não entrei ao primeiro mas ao quarto petardo estava era mesmo dentro do carro de exteriores.

  • Em pulgas para te conhecer

    Começou por ser uma proposta para uma coleira anti-pulgas. Mas como não podemos comunicar produto, a proposta não podia ser para uma coleira anti-pulgas. Tínhamos cães e gatos como gancho. Tínhamos as férias de verão à porta. Tínhamos números assustadores de animais abandonados. Apostámos numa campanha de adoção. Apostamos em sete associações de proteção animal e fomos à procura de dono. “Em pulgas para te conhecer”. Este foi o mote de uma ação que começou sem megafones, mas que foi ganhando expressão. Levámos sacos a todo o lado. Andámos de mão dada com uma bloguer que se “esgatanhou” para cativar seguidores a adotar. Levámos veterinários à televisão. Levámos a televisão aos canis.

    No final da campanha sabíamos que tínhamos salvo alguns destes bichos. Só não tínhamos consciência de que foram mais de 200 a conseguir um lar e um final feliz.

  • No tempo do fax

    Véspera de inauguração do Colombo. Naquela altura as correções e a aprovação de textos eram feitas via fax… O cliente assinalava no papel as alterações, reescrevia e devolvia por fax… Depois de várias versões dos textos para a inauguração, ao final do dia continuavam a chegar verdadeiros lençóis de papel com mais e mais alterações à versão, entretanto já aprovada. Houve alguém que não se conteve e desatou a pontapear os lençóis de papel com correções que se espalhavam pelo corredor do escritório no Areeiro, o que por segundos deixou atónita a nossa atual Diretora-Geral…

  • O carro do boss pifou

    Em 1997, fui a uma reunião na Figueira da Foz com o Luís Paixão Martins, depois de tudo ouvido e após um belo almoço regressámos a Lisboa. Tudo corria bem, apanhámos a A1 em Leiria e contávamos estar em Lisboa, Areeiro, onde era a LPM, cedo; mas de repente o Mercedes começa a falhar e acaba por parar. Lá veio um reboque que nos levou até Porto de Mós onde o carro ficaria em reparação e nós acabámos por chegar a Lisboa pelas 22h00. O carro seria reparado mas pouco tempo depois foi substituído por um outro…

  • O batizado do príncipe

    Um dos projetos em que mais gostei de participar foi o batizado de S.A.R., o Príncipe da Beira, Dom Afonso de Santa Maria. Aconteceu no dia 1 de Junho de 1996, em Braga, tinha eu os meus 30 e poucos anos. Não sei explicar o porquê, mas julgo que todo o peso histórico do apelido de família, o facto de dar início a uma nova geração de infantes da Casa de Bragança, ou porque gosto de contos sobre a realeza, posso dizer que foi um dos trabalhos que destaco destes meus 26 anos na LPM…

    Desde a promoção e acompanhamento de entrevistas, sessões fotográficas, acreditação de jornalistas nacionais e internacionais, organização do gabinete de imprensa e acompanhamento da cerimónia, este foi um período que vivi intensamente e que me deixou com a sensação de missão cumprida!

  • Como assim em cima de um carro?

    Monsaraz, Alentejo. Lançamento de projetos Turísticos de Excelência. Brief recebido três dias antes da sessão. Montagem de tenda para sessão com o Primeiro-Ministro (150 pax). Visita técnica prévia e definição de todos os pormenores. A equipa da LPM chega ao local e recebo uma chamada: “Graça, não sabemos o que fazer, os senhores da tenda montaram a estrutura da tenda por cima de um carro. Não encontraram o proprietário.” Resultado: desmontaram a estrutura, os bombeiros tiraram o carro e, claro, a tenda lá se montou novamente…

  • O cliente tem sempre razão

    Evento de hipismo com as maiores socialites mundiais resguardadas na zona VIP. Indicações do cliente: “Jornalistas bem longe desta área”! Jornalistas: “Epá, ou vamos lá ou não estamos aqui a fazer nada!”. Tu insistes: “Sr. Presidente, não podemos mesmo considerar a entrada dos jornalistas por breves minutos? A resposta é clara: “Não!”. Arriscas a pele e entras com os jornalistas na zona interdita. Resultado: mancha mediática brutal e... cliente satisfeito! 

  • Eu só vinha para um estágio

    Dia 1 de abril e não era mentira. Dirigi-me ao 4.º andar do n.º 30, na Avenida João Crisóstomo (sim, a LPM ficava em pleno Saldanha nesse tempo). Ao transpor a porta da LPM dei início a um percurso profissional, com um estágio, na empresa à qual, orgulhosamente, ainda hoje pertenço. Já lá vai uma década. Aprendi e cresci como pessoa e profissional. Continuo a crescer e aprender, todos os dias. Nessa altura seríamos uma vintena de colegas, hoje ultrapassamos a centena. Mas o “ADN” da LPM mantém-se o mesmo: experiência, competência e influência.

  • Ir a uma reunião com o boss

    Nos meus primeiros três dias na LPM fui logo presenteada com uma apresentação a um cliente, com o Luís Paixão Martins. Reforço: com o Luís Paixão Martins. A bitola não podia estar mais alta. Como iria correr? Não nos conhecíamos. Não fazia a mínima ideia de como era o Luís Paixão Martins nas reuniões, pois era a primeira vez que iriamos estar juntos. Iríamos estar em sintonia? Iria correr bem? Resultado: Não podia ter corrido melhor. Sem termos falado antes, fizemos a apresentação em conjunto, como se trabalhássemos há anos. Nos timings certos, ora falava um, ora falava o outro. O cliente adorou a proposta e eu saí da reunião com menos 100kg nas costas e um orgulho imenso por fazer parte da equipa LPM.